Fogo e Invasoras

Portugal tem um grande problema ao nível da invasão por plantas exóticas e tem também uma das maiores proporções de território queimado por incêndios florestais, em todo o mundo. O fogo controlado tem sido usado como uma ferramenta de gestão de combustíveis para reduzir o risco de incêndio em áreas invadidas, mas o uso inadvertido do fogo pode contribuir para expandir as populações de espécies invasoras. No entanto, se usado corretamente, o fogo controlado pode ser uma solução no controlo das invasões biológicas em vez de ser um potencial problema, tal como acontece noutros países. Apesar deste potencial, o conhecimento sobre as relações entre o fogo e as plantas invasoras é ainda insuficiente. Esta falta de conhecimento não permite um uso informado do fogo, tanto como ferramenta de gestão de combustível em áreas queimadas, como uma solução para controlar a expansão de plantas invasoras.

Deste modo, o principal objetivo do projeto Fogo e Invasoras é o de preencher as lacunas de conhecimento existentes sobre as relações entre o fogo e as espécies de plantas invasoras, de modo a apoiar o uso do fogo em áreas com ocorrência destas espécies. Dada a sua importância em Portugal e noutros locais, a háquea-picante (Hakea sericea Schrad.) e a mimosa (Acacia dealbata Link.), foram as espécies escolhidas para iniciar esses estudos. O desenho experimental consiste em aplicar um conjunto de tratamentos de corte e queima em diferentes áreas de estudo, de modo a medir os parâmetros básicos de comportamento do fogo e monitorizar os efeitos resultantes destes tratamentos. Os estudos incluem a avaliação dos efeitos quer ao nível do indivíduo quer ao nível da população. Além disso, pretendemos expandir os possíveis resultados deste projeto, incluindo outros efeitos nomeadamente efeitos no solo a nível físico e biológico, resultantes dos diferentes tratamentos aplicados. No final pretende-se produzir e divulgar um guia de boas práticas para uso do fogo em áreas invadidas por mimosa e háquea-picante.

Este projeto é apoiado pelo programa PDR 2020 – Acção 1.1 Grupos Operacionais e é liderado pelo Instituto Politécnico de Coimbra. O consórcio atual inclui quatro parceiros privados (Greenclon, Sfera, Silvokoala e Vumba) e duas associações florestais (Associação Florestal do Baixo Vouga e Aflopinhal). Estes parceiros irão ajudar na implementação operacional do desenho experimental e na divulgação dos resultados obtidos.